Todos sentavam em seus assentos acolchoados, aguardavam o inicio da peça.
Murmúrios. Bocejos. Risadas. Para alguns, era um prazer estar ali, para outros era extremamente enfadante e tedioso, estavam quase por obrigação.
Depois de muitos
cof, cof, seguido de um longo
xiiiiiiiiu, as cortinas de veludo vermelho se abriram.
No centro do palco polido de madeira, estava uma mulher, com os olhos brilhantes refletindo a luz quente dos holofotes que vinha de cima- quase como uma força divina que a tinha como foco-.
O Silêncio pairava no ar até findar-se com um grito agonizante vindo do palco, a mulher caíra no chão e gritava por ajuda, banhada de suor e de lágrimas. - A Plateia se espantara com grandiosa atuação-
Figurantes entraram no palco e prestaram auxílio, carregando-a para fora de cena.
As cortinas se fecharam.
As cortinas se abriram. A mulher que caíra, nesse momento se encontrava deitada em uma maca, rodeada por vultos brancos. Um deles sorri e pede para que ela tenha calma -
tudo vai ficar bem, só respire fundo-. São ouvidos mais gritos seguido de um choro -um personagem novo entrara em cena-. No meio da confusão que aos poucos fora amenizada, podia se notar a origem do choro, vinha de uma figura, um ser pequeno que agora resfolgava no peito de sua mãe.
As cortinas se fecharam.
As cortinas se abriram. Um homem balançava o bebê que chorava energeticamente, o mexia de um lado para outro, de um lado para outro, incansavelmente, tentando tranquilizá-lo. Seguidamente gritara por ajuda
-Lúcia, vem me ajudar com a criança-. A mãe entra, toma a criança pelos braços e lhe entrega um de seus seios. Logo o choro é cessado.
As cortinas se fecharam.
As cortinas se abriram. -A plateia seguia com o olhar uma criança, que pulava amarelinha com um enorme sorriso nos lábios-. A mulher da primeira cena aparece e lhe diz docilmente -
Cecília, vem almoçar-.
As cortinas se fecharam.
As cortinas se abriram, no ato podia ser vista Cecília, sentada em uma cadeira com um caderno e um lápis na mão, usando uma mesinha de madeira como apoio.
As cortinas se fecharam.
As cortinas se abriram. Dessa vez via-se Cecília mais crescida, em uma discussão com os pais, que tentavam lhe impôr que fizesse o curso que eles sempre almejaram quando jovens.
As cortinas se fecharam.
As cortinas se abrem, agora Cecília aparenta estar com 18 anos, olha para a plateia que aguarda ansiosamente alguma reação da atriz.
Minutos se passam e Cecília continua paralisada, imóvel, não sabe sua fala, não sabe o que fazer, não sabe o seu papel.
A plateia a olha atentamente por mais algum tempo e logo depois começa a levantar, um à um. Xingamentos e praguejamentos são ouvidos do palco.
Cecília permanece estatuada fitando os assentos vazios; solta um longo suspiro...
- Ser ou não ser?- diz Cecília por final.
Sai de cena.
LOCATELLI, Caroline