Sem sono, mexia os dedos acima do ventre, buscando sonhos com as mãos.
Aguardava ansiosamente a chegada do Homem de Areia -o senhor que trazia os sonhos comprimidos em grãos-.
Ouvia melodias antes nunca tocadas, melodias mentais que tentavam incansavelmente levar-lhe à um sonho musical...
"IN, IN, IN", fazia o mosquito que rodeava o recinto, talvez ele fosse o responsável por assustar seus sonhos... "IN, IN, IN" o som ia, propagando-se pelo espaço...
Imagens rodopiavam pela parede do quarto, em um incansável e imensurável balé, flutuavam e esqueciam de levar-lhe junto com elas...
Essa dança insana da insônia parou apenas quando uma luz forte brilhou, adentrando pela janela.
O Dia nascera.
LOCATELLI, Caroline
