24 de jan. de 2014

In(sôn)ia

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  Sem sono, mexia os dedos acima do ventre, buscando sonhos com as mãos. 
  Aguardava ansiosamente a chegada do Homem de Areia -o senhor que trazia os sonhos comprimidos em grãos-. 
 Ouvia melodias antes nunca tocadas, melodias mentais que tentavam incansavelmente levar-lhe à um sonho musical...
 "IN, IN, IN", fazia o mosquito que rodeava o recinto, talvez ele fosse o responsável por assustar seus sonhos... "IN, IN, IN" o som ia, propagando-se pelo espaço...
 Imagens rodopiavam pela parede do quarto, em um incansável e imensurável balé, flutuavam e esqueciam de levar-lhe junto com elas...
 Essa dança insana da insônia parou apenas quando uma luz forte brilhou,  adentrando pela janela.
 O Dia nascera.



                                                                                                            LOCATELLI, Caroline