Outrora, o gosto salgado que sentia em minha boca, era do mar.
Agora sinto o gosto salgado de minhas lágrimas que não se foram.
Dos momentos felizes que se acabaram,
do futuro que me aguardava em uma bolha e se dissipou,
que prometia-me uma vida perfeita,
um vida perfeita e calma no fundo do mar.
Mergulho em meu mar de lágrimas,
afundo-me em todo seu sódio.
Aguardo que a correnteza me leve,
anseio por uma praia deserta,
um pouco de calmaria. Paz.
Talvez um marinheiro qualquer me encontre,
prometa-me o amor que o antigo não pode me dar.
O levarei comigo para as profundezas do pélago.
Eu cantarei eternamente para quem saiba me amar,
Sou uma sereia, afogo-me neste mar.
Não há um barco, ninguém está à velejar,
cortei-me com um anzol,
pescaram-me e devolveram-me ao azul do oceano.
Aguardarei eternamente a próxima oscilação,
a próxima embarcação.
A onda que trará o meu amor,
devolverá minha canção.
devolverá minha canção.
LOCATELLI, Caroline
