Afundei-me em mim
Cai infinitamente como Alice.
Em um poço que parecia não ter fim
Cai por horas dentro do meu Eu,
dentro de mim.
Caia e livros via
Todos em prateleiras
Em fileiras.
Quem os escrevia?
Todos os livros tinham nomes como título.
Nomes de pessoas que comigo tinham algum vínculo.
Os livros tinham espessuras proporcionais ao que eu conhecia de cada pessoa.
Todos os livros passando por mim
Fazendo tumulto, fazendo motim.
Enquanto eu estava indo.
C
a
i
n
d
o
Cheguei em meu âmago, onde queria.
Estava viva.
Ao tomar conhecimento disso, sorria.
Encontrei uma mesa.
Nela havia uma enorme garrafa de vidro,
além de uma vela acesa.
Dentro do vidro,
borboletas de todas as cores de flores,
desesperadas debatendo-se em vão,
em tentativas frustradas de saírem
Saírem daquela prisão.
Preso a garrafa, havia um papel escrito: "LIBERTE-ME"
Hesitei antes de abrir,
por fim, soltei as borboletas.
Elas saíram, belas, voando em piruetas.
Percebi que o âmago era meu estômago.
E as borboletas voavam
alegres, eufóricas, calóricas.
Eu estava deliberadamente contente
Amando novamente.
LOCATELLI, Caroline
