23 de nov. de 2016
Sol Narciso
O sol em despedida reflete no lago,
encerra sua jornada
Aquece o lago com um afago
Um sol Narciso que adentra a água
Encantado com sua própria beleza
E no dia seguinte renasce da mesma
Com todo o seu calor, com todo o seu ardor.
O mesmo sol que quer ser o centro de um sistema, afunda em si.
Afunda o seu reflexo, seu reflexo retorcido
Sua autoimagem fracionada,
mas que o encanta, encanta os planetas, encanta os pescadores, interrompe suas remadas.
Todos param para vê-lo se pôr,
para vê-lo novamente se afundar no mar, e dar lugar à uma forma pálida.
E no dia seguinte novamente renascer, renovando aquilo que já estava morto.
Sol Narciso,
só te peço
Por favor
Não se afunde em seu autoamor.
LOCATELLI, Caroline