14 de mar. de 2017

Ainda menina


A alma de menina gritou
Um líquido viscoso e rubro escorria pelas suas pernas, ternas.
Ela não entendia aquilo,
não entendia como podia sangrar sem se machucar.
Pensava se Merthiolate resolveria,
mas onde estava a ferida?
Havia uma ferida?

Aquilo acontecia todo mês,
sangrava por uns quatro dias,
ferida pela idade, pela maturidade.
Pobre menina que não entendia.
O que lhe ocorria?

Suas pernas alvas viraram alvos
olhares masculinos lhe perseguiam.
Aquelas pernas antes corriam
corriam como se não houvessem obstáculos pelo caminho
Queriam fazer de suas coxas um ninho.

Ela brincava e pulava com os meninos,
subia em árvores,
fazia todo tipo de careta,
não se importava em brincar sem camiseta.

Mas agora, menina aflora,
Uma simples amostra de seu corpo afora,
desperta desejo, fazem-lhe todo tipo de cortejo.
Com seus lábios pintados de amora,
sua infância chora.
Querem lhe pegar.
Óh menina ingênua,
Querem-te nua
Óh menina
Que não conhece o pega-pega dos adultos,
que não entende seus pecados e insultos.




LOCATELLI, Caroline