A tarefa mais difícil que podem dar à um homem é se descrever.
Quem sou eu? Eu não sei, sou um conjunto de tudo que já fiz, já fui muitas coisas que hoje não sou, já recebi diversos títulos que não me pertencem mais. Eu não sou, eu já fui, serei. Nossas células mudam totalmente a cada sete anos, não sou a Carol de sete anos atrás, mas também não sou mais a mesma que começou a escrever esse texto, no momento minhas mãos estão ligeiramente sujas com a tinta da caneta, antes eu era apenas uma representante Homo Sapiens do sexo feminino, escrevendo com seu polegar opositor, agora sou a Homo Sapiens que sujou as mãos por não ter total controle do polegar opositor. Uma pessoa não é uma porção de títulos dados por si ou por outra, cada pessoa é um indivíduo mais complexo, profundo e único do que simples adjetivos ou classificações. Sou uma dança de mudança. Tudo que reflete o passado não sou eu, esse próprio texto virou obsoleto, deixou de ser. A Carol é a Carol do agora, o agora escrito não é o agora lido, portanto eu me recuso a descrever a Carol que sou no momento, peço perdão, já deixei de ser.