25 de dez. de 2014
Eu não gosto de escrever sobre o Amor
Eu simplesmente detesto escrever sobre esse sentimento.
Sempre fica clichê.
Sempre fica piegas.
Porque todos sabem que ou termina em "Felizes para Sempre",
ou termina em morte.
Ou é feliz demais, ou trágico demais.
Mas hoje eu não pude evitar, eu precisava colocar todo esse incômodo em algum lugar.
Comecei com uma saudade imensa e uma falta de ar terrível, depois as lágrimas começaram a escorrer, umedecendo minha pele seca.
Eu precisava extravasar essa dor.
Nem se para isso, eu precisasse dar um soco no estômago de um indivíduo, para ele saber o que sinto.
E isso não passa com remédio algum, não veio de lugar algum, não é feito de átomo algum.
É apenas um vazio.
Falta de algo que nunca foi vital (o meu corpo não sabe disso).
E essa dor por dentro?
Será fome?
Fome de carinho?
Fome de amor?
Antes eu vivia muito bem sem tudo isso,
por que agora a falta de alguém me incomoda tanto?
Eu não quero viver de saudade.
Vou soprar meu amor em um saquinho e jogá-lo no lixo, espere, alguém já fez isso por mim.
Essa falta de algo imaterial,
É inaceitável para alguém cética como eu.
É inaceitável que meu âmago amargo esteja doendo tanto assim,
pela falta de algo que não existe, que nunca existiu.
O Amor.
Eu simplesmente detesto escrever sobre...
LOCATELLI, Caroline
13 de dez. de 2014
Um Poema sobre o Capitalismo
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Seria um belo poema se você não visse apenas o cifrão.
LOCATELLI, Caroline
Imagens do Eu
Naquele momento meus braços doíam ,
meu tronco,
minhas pernas;
minha cabeça ameaçava explodir,
enquanto o coração,
esse parecia querer fugir pela minha boca,
para um lugar melhor -Um cemitério talvez.
Nada nem ninguém parecia me entender,
até meu metabolismo queria me criticar de sua forma latejante.
Pestaneio buscando uma forma de esquecer minhas mágoas,
busco imagens graciosas,
que alegrem meu Eu.
Busco imagens de um lugar onde ninguém possa me julgar,
onde não há ninguém para me entender,
apenas
EU.
LOCATELLI, Caroline
11 de jul. de 2014
Bala In(certeira)
-BAAAAAM!
"Um tiro mata uma estudante em São Paulo, a jovem de 8 anos estava saindo da escola quando foi atingida no peito."
Saiu de um cano preto com um estalo de pólvora estourando,
percorreu o ar rodopiando feito uma bailarina.
Passou pelo padeiro.
Passou pelo professor.
Passou pelo alvo, mas não quis parar;
Seguiu seu trajeto, voando no ar,
a bala de chumbo foi indo, indo;
Vendo o mundo girar.
Até ser interrompida por uma menina tola,
não soube sair da frente para o pedaço de ódio passar.
Bem feito,
benfazido;
A menina caiu como uma saco de estopa no chão;
Com seus lápis de cores rolando de sua mão,
foi azul, foi amarelo, foi vermelho,
todos rolando... rolando....rolando...
Até caírem n'um boeiro.
LOCATELLI, Caroline
"Um tiro mata uma estudante em São Paulo, a jovem de 8 anos estava saindo da escola quando foi atingida no peito."
Saiu de um cano preto com um estalo de pólvora estourando,
percorreu o ar rodopiando feito uma bailarina.
Passou pelo padeiro.
Passou pelo professor.
Passou pelo alvo, mas não quis parar;
Seguiu seu trajeto, voando no ar,
a bala de chumbo foi indo, indo;
Vendo o mundo girar.
Até ser interrompida por uma menina tola,
não soube sair da frente para o pedaço de ódio passar.
Bem feito,
benfazido;
A menina caiu como uma saco de estopa no chão;
Com seus lápis de cores rolando de sua mão,
foi azul, foi amarelo, foi vermelho,
todos rolando... rolando....rolando...
Até caírem n'um boeiro.
LOCATELLI, Caroline
19 de mar. de 2014
A Última Badalada
Sinto o estalido de meus neurônios já fadigados.
Minhas juntas já parecem portas rangindo.
Olho meu reflexo no espelho:
Meus olhos, antes belos,
hoje estão escondidos entre tanta pele plissada.
Meu cheiro é de sabão e talco;
Minha expressão é de sabedoria.
Minhas mãos pálidas e minha pele flácida, fria.
A alvidez de meu cabelo traz consigo serenidade,
a lembrança pueril de quando minha mãe o escovava
e lhe prendia uma linda fita turquesa.
Estou perdendo toda minha melanina, minha queratina,
minha mocidade.
Antes senhorita, hoje senhora, sem hora.
Repito comigo mesma:
-Você sabia que a velhice iria chegar.
Toco nesse rosto estranho,
penso se fui quem eu realmente gostaria de ser,
realizei todos os meus sonhos?
Não sei vos dizer.
Meus netos sempre me perguntam se já fui criança,
se fui jovem um dia.
Eu apenas sorrio e respondo:
-Ainda sou.
Isso depende do "ponto de referência",
comparada ao planeta terra, sou um feto ainda.
Algumas coisas são complicadas de explicar,
a velhice é uma delas;
Alguns à temem e tentam evitá-la,
outros como eu, só aceitam e vivem felizes,
aguardando que as horas passem,
aguardando...
A última badalada.
LOCATELLI, Caroline
12 de mar. de 2014
Alforria das Letras
Palavras s o l t a s,
Livres da algema de coesão são
Quando estão s o l t a s, As Palavras invejam as Letras Soltas as Palavras queriam ser. As Letras gozam de sua liberdade e infinidade, Enquanto as Palavras trabalham Para formarem esses versos, Até que o poeta lhes dê a alforria. Mas se por algum obséquio Soltas fossem as Palavras, Esse poema não faria sentido; Seriam apenas letras voando
Livres da algema de coesão são
Quando estão s o l t a s, As Palavras invejam as Letras Soltas as Palavras queriam ser. As Letras gozam de sua liberdade e infinidade, Enquanto as Palavras trabalham Para formarem esses versos, Até que o poeta lhes dê a alforria. Mas se por algum obséquio Soltas fossem as Palavras, Esse poema não faria sentido; Seriam apenas letras voando
Vogais e consoantes soltos n'um alvo papel.
L E T R A S
T O
L
LOCATELLI, Caroline
L E T R A S
T O
L
LOCATELLI, Caroline
4 de mar. de 2014
Eu seria Sereia
Outrora, o gosto salgado que sentia em minha boca, era do mar.
Agora sinto o gosto salgado de minhas lágrimas que não se foram.
Dos momentos felizes que se acabaram,
do futuro que me aguardava em uma bolha e se dissipou,
que prometia-me uma vida perfeita,
um vida perfeita e calma no fundo do mar.
Mergulho em meu mar de lágrimas,
afundo-me em todo seu sódio.
Aguardo que a correnteza me leve,
anseio por uma praia deserta,
um pouco de calmaria. Paz.
Talvez um marinheiro qualquer me encontre,
prometa-me o amor que o antigo não pode me dar.
O levarei comigo para as profundezas do pélago.
Eu cantarei eternamente para quem saiba me amar,
Sou uma sereia, afogo-me neste mar.
Não há um barco, ninguém está à velejar,
cortei-me com um anzol,
pescaram-me e devolveram-me ao azul do oceano.
Aguardarei eternamente a próxima oscilação,
a próxima embarcação.
A onda que trará o meu amor,
devolverá minha canção.
devolverá minha canção.
LOCATELLI, Caroline
28 de jan. de 2014
Guias e vias
Não preciso de uma bússola magnética
sou guiada pelas estrelas.
Não irei usar a terra
sabendo que posso usar o céu.
LOCATELLI, Caroline
27 de jan. de 2014
Drama Shakesperiano
Todos sentavam em seus assentos acolchoados, aguardavam o inicio da peça.
Murmúrios. Bocejos. Risadas. Para alguns, era um prazer estar ali, para outros era extremamente enfadante e tedioso, estavam quase por obrigação.
Depois de muitos cof, cof, seguido de um longo xiiiiiiiiu, as cortinas de veludo vermelho se abriram.
No centro do palco polido de madeira, estava uma mulher, com os olhos brilhantes refletindo a luz quente dos holofotes que vinha de cima- quase como uma força divina que a tinha como foco-.
O Silêncio pairava no ar até findar-se com um grito agonizante vindo do palco, a mulher caíra no chão e gritava por ajuda, banhada de suor e de lágrimas. - A Plateia se espantara com grandiosa atuação-
Figurantes entraram no palco e prestaram auxílio, carregando-a para fora de cena.
As cortinas se fecharam.
As cortinas se abriram. A mulher que caíra, nesse momento se encontrava deitada em uma maca, rodeada por vultos brancos. Um deles sorri e pede para que ela tenha calma -tudo vai ficar bem, só respire fundo-. São ouvidos mais gritos seguido de um choro -um personagem novo entrara em cena-. No meio da confusão que aos poucos fora amenizada, podia se notar a origem do choro, vinha de uma figura, um ser pequeno que agora resfolgava no peito de sua mãe.
As cortinas se fecharam.
As cortinas se abriram. Um homem balançava o bebê que chorava energeticamente, o mexia de um lado para outro, de um lado para outro, incansavelmente, tentando tranquilizá-lo. Seguidamente gritara por ajuda -Lúcia, vem me ajudar com a criança-. A mãe entra, toma a criança pelos braços e lhe entrega um de seus seios. Logo o choro é cessado.
As cortinas se fecharam.
As cortinas se abriram. -A plateia seguia com o olhar uma criança, que pulava amarelinha com um enorme sorriso nos lábios-. A mulher da primeira cena aparece e lhe diz docilmente -Cecília, vem almoçar-.
As cortinas se fecharam.
As cortinas se abriram, no ato podia ser vista Cecília, sentada em uma cadeira com um caderno e um lápis na mão, usando uma mesinha de madeira como apoio.
As cortinas se fecharam.
As cortinas se abriram. Dessa vez via-se Cecília mais crescida, em uma discussão com os pais, que tentavam lhe impôr que fizesse o curso que eles sempre almejaram quando jovens.
As cortinas se fecharam.
As cortinas se abrem, agora Cecília aparenta estar com 18 anos, olha para a plateia que aguarda ansiosamente alguma reação da atriz.
Minutos se passam e Cecília continua paralisada, imóvel, não sabe sua fala, não sabe o que fazer, não sabe o seu papel.
A plateia a olha atentamente por mais algum tempo e logo depois começa a levantar, um à um. Xingamentos e praguejamentos são ouvidos do palco.
Cecília permanece estatuada fitando os assentos vazios; solta um longo suspiro...
- Ser ou não ser?- diz Cecília por final.
Sai de cena.
LOCATELLI, Caroline
24 de jan. de 2014
In(sôn)ia
.
Sem sono, mexia os dedos acima do ventre, buscando sonhos com as mãos.
Aguardava ansiosamente a chegada do Homem de Areia -o senhor que trazia os sonhos comprimidos em grãos-.
Ouvia melodias antes nunca tocadas, melodias mentais que tentavam incansavelmente levar-lhe à um sonho musical...
"IN, IN, IN", fazia o mosquito que rodeava o recinto, talvez ele fosse o responsável por assustar seus sonhos... "IN, IN, IN" o som ia, propagando-se pelo espaço...
Imagens rodopiavam pela parede do quarto, em um incansável e imensurável balé, flutuavam e esqueciam de levar-lhe junto com elas...
Essa dança insana da insônia parou apenas quando uma luz forte brilhou, adentrando pela janela.
O Dia nascera.
LOCATELLI, Caroline
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